terça-feira, 7 de setembro de 2010

Red

O som de uma máquina de escrever, longas cartas, muito papel no chão, muita tinta desperdiçada com tamanha desolação cardíaca.
Se sentir só e escrever e não estar só. Mas se ao menos eu pudesse descrever as críticas de nós, porque eu quero tanto passar um longo tempo sem escrever?
O ambiente vermelho que se forma em minha mente, me remete as fogueiras de nós, as formas desformicas de amar o intenso fogo de dentro.
Cabaré, 1880. A luz vermelha daquele ambiente me tornou cego para as outras coisas do mundo, me sentei, ascendi um cigarro e esperei pela minha dama.
Fui interpelado por um clarão, uma beleza natural, lábios grandes, olhos profundos e mãos suaves. Sentou-se ao meu lado, tomou meu cigarro e deu um longo trago.
Ficou horas me olhando e eu estatelado. Suas mãos se encaminharam em direção ao meu rosto. Parecia uma pedra preciosa, tanta luz.
Fiquei cego só conseguia enxerga-lá. Ela sorria com uma naturalidade o vermelho de seu vestido me tornava em volto a um singelo decote.
Não tirava os olhos, às vezes disfarçava, mas me inebriava.
Ofereci-lhe um anel. Ela sorriu, aceitando o agrado. À noite se estendendo e chegou à despedida. Abaixou-se em cumprimento, estendeu suas delicadas mãos e a beijei.
Não conseguia dormir, rodava de um lado pro outro e uma senhora de fino porte me procurava em meus sonhos. Como é perfeito.
Espera a noite ansiosa, em meus minutos só lembrava tal luz.
Cheguei me sentei no mesmo local, ascendi novamente um cigarro, ela, me interpelou da mesma forma. Perfeita, a noite se estendia como se fosse um relâmpago. Almejava estar a cada instante ao lado dela.
Sentei-me na janela, ascendi um cigarro, olhei em direção ao respeitado estabelecimento e gritei!
Sentei numa velha mesa, junto a uma máquina de escrever e comecei. A cada batida nas teclas meu coração parecia explodir em meu peito.
Ao som de um tango violento, meu coração dançava ao lado de um coração comprometido com talvez a França toda.
Mas, necessitava narrar o que sentia por ela, talvez desse todas as joalherias para conquistar o seu amor, talvez a amaria até pedir pra eu parar, talvez só olhasse ela, talvez esmeraldas, diamantes, vestidos e amor.
Só pensava em ama - lá. Não sabia o que fazer ao certo, me encheu de coragem e voltei.
Nessa noite seria diferente.
Eu cheguei a esperei em pé, não ascendi cigarros, não bebi... Meu coração parecia um tango vermelho.
Esperei por horas e nada dela. Comecei a caminhar pelo salão atrás dela, andei por todo lado, pensava será sonho?
Caminhará sem sentir minhas pernas e sem contar os passos. Meu coração tocava o sustenido de um violino, rápido com o arco em ermo, forte e feroz.
Sentia vontade de gritar, olhava nos rostos das putas e não ha achava. Onde teria se metido.
Ouvi um choro ao longe. Saltei em direção ao som e lá estava ela, deitada em um lençol de seda branco.
Contorcia-se com um verme, continuará linda. Aproximei-me até ela, segurei em suas mãos, ela usará o anel que dei. Coloquei um colar de diamante em seu pescoço com muita dificuldade, em estacatto meu coração batia, podia sentir o arco em minhas cordas, raspando no fundo de meu breu.
Ela se moveu, se levantou um pouco, mexeu os lábios, parecia querer dizer algo. Esperei, ela suspirou fundo e o corpo se soltou como uma pluma eu meus braços, fechou os olhos e adormeceu deixando minhas mãos vermelhas.
Ao fundo um lá maior.



Paris

Noite fria mal podia aquecer meus pés, ardia à friagem como fel.
Levantei-me apanhei uma muda de roupa e vesti. O meu estado desnudo não me satisfazia. Coloquei uma toca, um agasalho, calça de lã, sapato de bico fino e resolvi sair.
Nas ruas o vento percorria todo o espaço como se fosse pedestre e veículos, a cidade toda iluminada. Olhava de um lado pro outro e não via uma alma viva.
Cheguei à porta de um museu, olhava as obras da vidraça e fertilizava meu espírito. Caminhava e dançava com os postes. O meu companheiro vento soprava cada vez mais voraz. Um sopro tão forte em minha nuca me fez viajar ao além, abri os braços e me entreguei à fria paixão.
Estava frio, pensava só em coisas quentes. Chocolate quente, um café, sopas, caldos, sauna, cobertor e você!
Deitei-me num banco de uma praça iluminada, o vento parecia me levar e me trazer até a lembrança. Fechava os olhos com força e não podia conter o cheiro que entrava por minha narina. A lembrança era tão quente, não poderia conter suas mãos que teimavam e deslizar pelo meu corpo.
Olhava-te nos olhos ao som do vento, me despia com o olhar, me beijava ardentemente, se esfregava em mim, roçava em minhas coxas, apertava meus seios, mordia minha boca, lambia faces do avesso, cheirava meus cabelos, gemia em meu ouvido, apertava-me com muita força, olhava pro lado e sorria cada vez mais quente, cada vez mais suor, muito vento.
Sentávamos, levantávamos, deitávamos, ardíamos, queimávamos e o sol ardia como o sol do meio dia. A lua apenas observava tal sensação de calor com sua forma fria e estática.
Amava-nos, sentia cada vez mais você percorrer por dentro de mim, furor, delicadeza, demência, decência, excitação.
Simplicidade de toque, o ápice acontecia com tal força que nos deixava de pernas bambas, se apertou em minhas coxas, beijou minha boca entramos em osmose, puramente química quente. Escorríamos de suor e gozo.
O vento refrescava nossas faces, as luzes foram se apagando, a lua tímida se escondendo e o sol brilhando. No momento exato fechei os olhos.
Ao abri-lo estava nua no banco de uma praça com o sol a pino. As pessoas me olhavam, me levantei repleta de satisfação, apanhei minhas roupas, sorri e fui embora.