segunda-feira, 7 de maio de 2012

Manifesto

Quantas vezes caminhei em falsos caminhos criados pela minha mente?Chego a um limite que começo a duvidar de tudo que vivi em demasia, chego a crer que tudo pode ter sido criado pela minha medíocre mente, que posso ter percorrido diversas estradas sem saída, ou que posso ter inventado as saídas ou estradas. Os caminhos se embaralham com uma facilidade incrédula, chego a duvidar da sinalização proposta por entre as vias, talvez nem aja sinalização, quem sabe essa também não é uma etapa continua de vislumbre utópico?
A cada passo dado os obstáculos são encaixados como maquetes, como projetos de construções, parece que ao me desatentar de determinada situação eu me deparo com mais um novo desvio, desvios e mais desvios parecem ser montados, criados, não sei, parece que os operários dessa suposta repartição pública são bem diferentes dos reais, eles trabalham incansavelmente em horários quaisquer, tapam buracos, criam obstáculos, aumentam vias, afastam vias, não cansam, não param. E eu fico aqui observando que a cada novo caminho proposto, novos operários surgem para desequilibrar a minha jornada. Não há uma rua que não possua setas indicativas de auto flagelação, não se monta barreira alguma para ser driblada, não se forma um novo caminho em nenhuma instancia pejorativa, coerentemente a viabilização de recurso aqui parece a tona, não há projeto que não seja concluído.
A unica coisa que me preocupa nessa jornada é a falta de luz, os lugares se tornam mais perigosos sem luz e parece que os operários não se importam em trocar as lampadas.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Que assim seja

Carregado de obscuras energias, carregado de supérfluos sentimentos me deparo com imensa vontade de sentir a brisa doce do outono em minha pele calejada pelas vivencias, brisa leve de fino toque que a demasia quimera   não supera, já perdi a noção de quanto tempo faz que minha alma não se banha em momentos da utópica felicidade. Já percorri inúmeras rochosas montanhas de piche em busca dessa sensação, mais não a encontro em nenhuma esquina montanhosa, não a encontro nem ao se por da luz aquecida do sol.
Eu já fui assim, utópica e feliz?Ou nunca encontrei essa utopia? Não sei ao certo o certame que se forma ao meu redor, mais acredito que não se sinta falta do que nunca conheceu, então por mais que não me recorde da tão formosa e sutil brisa necessito senti-la, necessito ver os olhos da partida, necessito pular em carregados batimentos cardíacos. Hoje meu coração bate por uma perseguição da morte, queria que outrora acontecesse novamente, queria que a morte e a escuridão se afastasse por um tempo, já me acostumei com o escuro e talvez a luz me incomode, mas necessito dela, desejo ela, almejo ela.
Você que está ai lendo essas quimeras, talvez pense o que há? Mais não se assuste aqui jas um ser humano cravado pelo fracasso, mas que ao menos os fracassos não sejam utópicos. Um brinde a vida como ela é!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Blackout

Tic Tac, Tic Tac, são sinais de pulsação, Tic Tac, sim sinais de vida, Tic Tac, velocidade média de 70 batimentos por minutos, Tic Tac é assim que bate meu coração, Tic Tac também faz a minha mente, comprimidamente pressionada contra a parede visceral, Tic Tac ocorreu um breu Tic, agora caminho, por entre as castigadas gondolas de minha mente, sim um fast food programado a ele, sim, aquele que me toma por entre as noites, que me faz refém de sua intimidade obscura, que me transforma no que não sou ou por ventura  sou se me ver, ou me vejo e não creio.
Comodo Tic Tac, se esvai, eu não o escuto mais, percebo a dilatação de minha pupila, o olhar de perseguição, perseguir, perseguir o que? Seria comodo a estadia desse sujeito que aos poucos se transforma em mim, ou me transforma em si, complexo e confuso, como as entranhas resilientes da carcaça. Criatura de ditos e morais, cuspidas em palavras dispensadas pelas mazelas de seu frágil vocabulário, você que me toma, eu que te suplico a glória de fidentino vácuo, passarei sim por a trilha dos que não foram, das tormentas de um interno apocalipse, declaro guerra a você, declaro guerra ao que você é, declaro por livre despudor chulo que aqui me invade, matarei o seu ninho, derreterei suas lanças e me lançarei ao incomodo de sua utópica castidade.
Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac, sangue, medo, remorso, pulsação alterada 140 batimentos por minuto, você no chão e seu coração assegurados pelos meus ralos e minúsculos dedos. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Julieta

Criatura sombria de vasto despudor, percorre as mazelas escuras e viela sujas de fedor. Se arrasta por entre os escombros de sua falsa moral, dilacera as entranhas figurativas da escuridão, morbidamente observa os felinos grunhidos da penumbra, brinca com a morte, cria subterfúgios fedentes e utiliza dos feromônios noturnos.
Ora e quem não se presta a tal comportamento por desmedidos momentos? 
Essa que arrasta a esquina por entre seus fortes fios de vida, que repousa em qualquer superfície, que supera a própria alteridade do espelho, comete crimes em demasia e se flagela a toda hora. Contando com a pura ingenuidade de apenas viver a vida, que irônico, que despretensão, criatura lamentável, ao mesmo que torna a sua passagem carimbada, se deixa amordaçar pela hipocrisia de Shakespeare. Não estou criticando a obra do grande poeta, apenas ressaltando as fatalística vida dessa criatura, que deseja amar, amar perdidamente, que deseja ser, ou pensando melhor, ou não ser, independente da questão. Aquela criatura que procura um Romeu, um Romeu dos romances que não existe que foi contado, que foi criada e inventada. Essa Julieta é apenas uma brisa escura que acha poder percorrer todos os caminhos e no fim da trilha encontrar o furor da poesia. 
Pobre Julieta envenenada por um sentimento, ludibriada pela doce esperança Shakesperiana. E a criatura leitora da teoria, esperava que Julieta respirasse e em longo e profundo beijo se envenenasse pelo amor, sim o amor que cria asas e fabrica vulcões. Mas, a erupção causada pela morte venceu a criatura.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Melancolia

Banho frio, as mãos deslizam por entre as pernas, molhada de brisa, sabonete líquido preenche as entranhas da esponja, cheiro suave, espuma clara, gotas e gotas líquidas. Fortemente esfrega as costas, pele arrepiada, acalento de sombra, olhos frios, pele quente, pés pequenos, ombros largos, cheiro de água, gosto de água.
Permite que as gotículas se escorram, apanha uma toalha felpuda e macia. Mistura a pele ao úmido e seca suavemente. Não se cansa de percorrer os poros.
Se encaminha para a porta, gira a maçaneta, corro, me escondo. Timidez, olhos atentos, melancolia, hoje lhe conheci pelo buraco da fechadura.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Solitário

Fugaz.
Sem pudor,
sem medo,
Sentido de arrepio.
Somado a ebulição.
Sentinela negra,
subterfúgios vorazes,
sob a decima melanina,
simbolizando o apocalipse,
salutando por guerra.
Sabendo amar.
Soberano em despudores,
sigo sendo sádico, 
semeando surrealismos.
Sim. 

A Vigésima Quimera

Sei que em alguma parte de minha arrida caminhada me perdi, é uma pena que não consiga me achar dentre tantos devaneios tardios, talvez a próxima rua que cruzarei eu não reconheça mais o caminho, sempre me perco e não me acho, isso chega a ser irritantemente necessário se perder em si mesma e ser totalmente sem concordância e ate mesmo entrar pra dentro em malditos pleonasmos.
A última coisa que me lembro e que havia em mim uma pura felicidade, existia em mim um melado sorriso de canto e uma áurea iluminada de certeza, que em cada canto e a cada rua que passava projetava por entre meus curtos fios de cabelo a iluminação de um raio em dia de chuva coberto pela escuridão das camadas de gás. E isso acontecia por algo, sim, tenho certeza disso, mas não me recordo do que acontecera, minha mente vaga por entre os vazios de minhas histórias, não consigo encontrar um elo que me ligue a nada, qual será o motivo de torpe felicidade, qual será o motivo de me encontrar?
A cada esquina, a cada badalada, a cada poeira, a cada desistência me sinto mais distante de mim, passo a correr pelos caminhos em labirintos passos, caminho em círculos, aquela rua ali...eu já passei por aqui?Não tenho ideia de onde estou, de quem sou, só sinto uma maleita, uma estupida fadiga, meu corpo lateja, minha cabeça...minha cabeça dói. Quero me jogar em um leito e adormecer, talvez assim eu me encontrarei em sonhos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Nana neném mascarado

Silencio, ande na ponta dos pés, não respire tão fundo, cuidado com as juntas que estalam, não retenha tanto a musculatura, psiu, cuidado, vire a esquerda, apoie na parede ao lado direito, respire fundo, obedeça as regras do silêncio, pare, descanse, engula saliva devagar em pequenas quantidades, continue a caminhar, se estiver de sapatos os retire, cuidado com o tapete, você não irá querer escorregar, vagarosamente contando os passos caminhe, não pense em sons ensurdecedores, cautela, você está chegando, gire a maçaneta, num angulo de 180°, depois empurre a porta devagar, gire novamente a maçaneta em 180°, abra totalmente a porta, caminhe em direção ao leito, devagar, com calma, cuidado com os sons emitidos pelo seu corpo, devagar, cautela, se sente minuciosamente na beira do leito, vire o corpo em 90° , estique as pernas, recline a coluna até encosta-la na maciez do tecido, respire fundo solando o ar aos poucos, feche os olhos, encruze as mãos e confessa para si mesmo que você está morto em charlatanismo.


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Salutar

Um vazio cheio preenche minhas estranhas, desapego de mim, desapego da vida, vagarei em busca de um enchimento verdadeiro, as fortes ventanias se cessaram, os anjos e arcanjos me forçaram a olhar intrinsecamente minha assombração, a cada quimera de mim fortifico minha muralha e busco a brisa matutina em minha face. Carcaça preenchida de satisfação, dessa alma corrupta. 
Não sei ao certo balancear tantas informações, sei que a fagulha descrita em devaneios sonhos aumentara. O vestígios que sobrara são vestígios fortificados pelas sangrentas batalhas, a escuridão vem dando espaço a fagulhas luminosas que outrora modifica os grãos mastigados por morcegos e criaturas sombrias.
Minha sombra acordou diferente nessa manhã, acordou mais real, antes era embaçada e disfórmica. E hoje possuí forma, modelo e vertência de tamanho. Possuí um preenchimento vazio, seria talvez a brisa ocupando seu espaço novamente? Ou será que esse ser possuí coração?
Os questionamentos são vãos, só consigo atentar para esse lugar diferente em que me encontro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Assombraçao

Maldito seja os meus utópicos momentos vividos, maldito seja toda a "merda" que construo, maldito seja, os subterfujo que arranjo para essa vida medíocre, maldito seja, a falta de oportunidade que em oportuno momento desperdiço feito cão mal amado de rancores, maldito seja, tudo que crio ainda que não posso procria-lo, maldito seja, a insegurança que escorre por entre meus ralos e minúsculos dedos já que não sirvo para essa vida, maldito seja, o corpo podre e mente vazia que adquiri, maldito seja, tudo aquilo que planto e não consigo colher, maldito seja, a existência humana já que supérflua é a minha, maldito seja, o desarme que vira e volta eu monto para o que realmente queria fazer, maldito seja, toda minha falta de jogo de cintura para o que não me apete-se, maldito seja, toda falta de amor!