terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Salutar

Um vazio cheio preenche minhas estranhas, desapego de mim, desapego da vida, vagarei em busca de um enchimento verdadeiro, as fortes ventanias se cessaram, os anjos e arcanjos me forçaram a olhar intrinsecamente minha assombração, a cada quimera de mim fortifico minha muralha e busco a brisa matutina em minha face. Carcaça preenchida de satisfação, dessa alma corrupta. 
Não sei ao certo balancear tantas informações, sei que a fagulha descrita em devaneios sonhos aumentara. O vestígios que sobrara são vestígios fortificados pelas sangrentas batalhas, a escuridão vem dando espaço a fagulhas luminosas que outrora modifica os grãos mastigados por morcegos e criaturas sombrias.
Minha sombra acordou diferente nessa manhã, acordou mais real, antes era embaçada e disfórmica. E hoje possuí forma, modelo e vertência de tamanho. Possuí um preenchimento vazio, seria talvez a brisa ocupando seu espaço novamente? Ou será que esse ser possuí coração?
Os questionamentos são vãos, só consigo atentar para esse lugar diferente em que me encontro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Assombraçao

Maldito seja os meus utópicos momentos vividos, maldito seja toda a "merda" que construo, maldito seja, os subterfujo que arranjo para essa vida medíocre, maldito seja, a falta de oportunidade que em oportuno momento desperdiço feito cão mal amado de rancores, maldito seja, tudo que crio ainda que não posso procria-lo, maldito seja, a insegurança que escorre por entre meus ralos e minúsculos dedos já que não sirvo para essa vida, maldito seja, o corpo podre e mente vazia que adquiri, maldito seja, tudo aquilo que planto e não consigo colher, maldito seja, a existência humana já que supérflua é a minha, maldito seja, o desarme que vira e volta eu monto para o que realmente queria fazer, maldito seja, toda minha falta de jogo de cintura para o que não me apete-se, maldito seja, toda falta de amor!  

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Arcanjo

Te encontrei na noite passada, não sabia que eras tao belo, tao límpido, tao iluminado. Andava por entre os caminhos torpes e desfrutava com intensa voracidade de meus olhos, de minha pele, de minha saliva, olhava com ternura minhas preces, tocava em meus medos como se os roubasse, os tirasses pela efémera raiz, nocauteava minhas angustias e dilacerava minha misericórdia em perdão!Sim, eu o desfrutava, como se pousasse em dia ensolarado gigantesca borboleta colorida em meus dedos, batia asas vagarosamente, me espionava, me expunha como se me conhece-se a anos, não conseguia somente ler meus pensamentos, mas os realizava, como pura magia utópica discernia eu.
Lentamente mostrava o poder da mente, o poder do casulo que se transforma em catastrófica beleza com asas, que causa o desequilíbrio de outrora. Água límpida, água viva, boiava, submergia, raciocinava com tal logica que me deixava atônita, pasma, como se eu tivesse nascido com aquele suposto dom, o de ver, o de escrever meu destino, o de desfrutar a beleza do ser angelical. Viajava por entre devaneios tolos, subia e descia oceanos de vaidades, mas sabia que dali nasceria uma nova e fugaz ninfeta.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Veni pulverem pulveri revertar!

Criatura desalmada sou eu, infortúnio de ações infundadas, mostarda e mel. Ao mesmo tempo que possui o peso de uma pluma desmorona como rochosas montanhas, amargo, azedo, espinho, lottus, mar, lagoa, luz, escuridão, assim caminho com milenares perguntas sem respostas, assim existo no escuro sem interruptor, assim desfruto de fugazes andares corrompidos por fracassos, assim sou quimera, assim sou balança, assim sou desequilíbrio. Fortifico-me em singelos devaneios do que serei, mal posso calcular um milimetro de andança, mal posso amarrar meus próprios cadarços, mal posso olhar ao lado, mal posso caminhar pelo mau, mal posso ser sempre operante em benevolência, mal posso rascunhar o que não quero ser. Palavras corruptas, formicas de flagelação, explosões intempestivas, arbitrariedade de desejo, catastrófica ventania em maléfico ser.
Criatura que se fortifica e se enfraquece com a distancia do que foi, o sentido que busca é totalmente sem embasamento, conhecimento chulo de superfulos coagulantes sentimentos, me pergunto se quando dilacero-me consigo ao menos encontrar meus cacos, meus flagelos e fibra. Culhões podres de errantes tentativas, posso viver, posso, posso, posso, posso, não não posso! Talvez poderia mas, cheque mate, chegou ao fim. Nem que seja o fim dessa etapa, mas chegou, só queria fechar os olhos e recobrar o que era, não consigo sozinha, o relógio vai contra mim, não consigo acertar o alvo, não consigo me permitir viver sem ventanias, não consigo lembrar de ti.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Roteiro

Ele correu como se não pudesse parar, examinou cada centímetro do local, rasgou parte de seu punho absorveu o sangue que escorria, recostou a cabeça na parede e chorou. Alimentava-se mais e mais de si, sofria em demasia pois perderá a dignidade de vida, comia a carne e rasgava o feto de ser. De cabeça recostada sentia o sangue escorregar por entre os dedos, pingava como torneira mal fechada, ou bica de água cristalina. Já agonizante, recobrou o sol em sua face em momento utópico, os pássaros, as festas, o beijo, o gosto, o desejo, a futura velha vida.
Mal podendo se equilibrar tentou caminhar um bocado por aquele muro imenso de pessoas, sim o caos estava estabelecido só restará um ser com pulsação em meio ao caos, arrastou-se ate a terra com as próprias mãos cavou, cavou, cavou fizera um buraco de um palmo, sem mais litúrgicas filosoficas, deitou-se e começou a cobrir-se com o manto da natureza, cobria pois sentia frio em sua alma. Mais um pouco, mais um pouco e em mortalha sepultura escreveu: "Aqui jás os fardos de minha vida utópica."

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Assalto

Na noite passada ocorreu um furacão aqui dentro, uma ventania violenta que movia todas coisas de lugar, batia em minha face folhas, pedras, areia, com tamanha velocidade que fazia com que não pudesse capturar cada pensamento. Um redemoinho imenso de falsas mudanças, uma brisa corrupta que levava de mim o que ainda possuía de pureza, tomava-se de mim, olhava ao redor e percebia o poder da natureza.
Aqui dentro ficou apenas um ar cheio de coisa alguma, um ar de notória insatisfação, rodava por dentre a minha cabeça, por dentro de meu corpo, um ar brisado de vazio,roubou de mim, sim me roubou tudo que ainda possuía. 
Ja havia notado que esse vazio era normal, já havia notado que não possuía muita coisa, mas levar tudo, como pode fazer isso com minha identidade, personalidade, me sinto desfigurada, não reconheço mais a mim. 
As arvores gemiam em desespero, gritavam para que aquele voraz vendaval se fosse, era inútil ele rasgava e dilacerava tudo que encontrava pelo caminho, inclusive eu.Me roubou fui lesada, me furtou. Levou de mim a falsa verdade de uma insignificante criatura, vou fazer boletim de ocorrência.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Again

Emaranhado de mãos, mãos tremulas que querem lhe tocar com intensa voracidade. Pegar-te, deitar-te sob o céu e amar-te como jamais fizera. Sonho, verdade ou utopia. Em pensamento lhe possuo, sinto seu cheiro, você caminha por entre o campo como se fosse um filme, sorri por entre os alecrins e me olha, com esses olhos de ressaca. Meus olhos alcançam os teus, nos envolvemos em um longo beijo molhado, minhas mão escorregam por suas costas, lhe inclinando a escorregar pelo meu corpo, lhe deito em meio ao cheiros e gostos. Escorre por mim demasia intensidade, nossos olhos não cansam de se olhar, entrelaço meus dedos com os teus, apertando as pontas em euforia, aguçando o tato, minhas mãos percorrem suas curvas acentuadas, seus cabelos negros escorregam por sua pele lhe causando arrepios e frenesi. Nossos corpos vão se aproximando cada vez mais, as pernas se entre laçam e somos envolvimentos pelo toque dos alecrins... Em tamanha excitação nos tornamos um só e agora você não sairá mais de mim...É, tudo que necessito agora é de um banho gelado.


Hoje, 28 de Setembro de 2011, quinta-feira, às 21h.

Estação de Trem, sentada a um banco de costas para os trilhos, não favorecendo os pensamentos suicidas.O Relógio marca 15h e 32m, observo o andar apressado das pessoas, a vagareza de outros, as risadas de alguns, as faces amarradas de milhares.
O trem para, as pessoas desembarcam, outros embarcam e o trem continua. Em alguns momentos tenho a leve impressão de que a penumbra de minha mente me estagna naquele assento, os relógios e os trens podem caminhar e passar da forma intermitente que desejarem, não irei me mover.
Acho tão belo que as formigas consigam viver em colonias, porque nós não consigamos? Talvez se o ser humano não tivesse senso crítico e personalidade seria mais fácil, de que importa esse assunto que inicio, minhas palavras estão tão confusa quanto a minha mente.São tantos devaneios, como é possível um ser humano ser tão concreto e tão utópico como esse?Não tem como descrever tamanha podridão de muralhas, de preconceitos, de medos, de amarras que o tempo me proporcionou. 16h é o que marca o imenso relógio da estação. Pra fora da estação vejo uma outra multidão, mutilada pelo tempo. O Tempo é o Sr. de tudo uma balela, o tempo é a coisa mais ingrata que um ser humano pode ter, com o tempo você cresce, amadurece, modifica, envelhece, que graça tem ver as coisas passarem, passarem e passarem por você. Qual o sentido da vida se o tempo te dá e ele mesmo te toma.Qual a gratificação que temos nisso, você perdeu por que perder faz parte, não é? O tempo muda tudo, dá tempo ao tempo.Quando criança o tempo parece ser tão bom, nos permite mais horas, pois aquilo não conhecemos, então parece que aproveitamos ou  relaxamos, você nasce com alguém lhe trocando as fraldas e pode morrer com alguém lhe trocando as fraldas. Sabe o por que de tudo isso, O BELO E BOM TEMPO.
Com tanta balela e literatura pobre, nem percebi que estava a beira dos trilhos.
Hoje, 28 de Setembro de 2011, quinta-feira, às 21h.

domingo, 11 de setembro de 2011

Santidade

De fronte ao livro sagrado, de joelhos em grão, prostrados, descrença da chama, em nome "dele". Lençóis acinzentados, colchão de espuma fria, cabine de grade, passava horas na mesma posição, horas de murmúreos, tocos de parafina por toda a grade, suor, batina e sangue.
Os joelhos nos grão, parafina em ardência escorrendo por sua pele branca entre os pelos do peito, colarinho ao chão, simbolismo e ritualismo de subversiva glória. Apanha o coro curtido em sol, aponta-o a cima de sua cabeça, estrila os ganchos pontiagudos, em voraz movimento e canto se surra. 
A carne se esfarrapa por entre o couro de sua voz, água benta escorre por seu corpo, mas um golpe, mutila-se como carne de segunda, a chama balança no pulsar de Gregório " Ó Pai, amai-vos e respeitai-vos, ensinai-vos que não a canto sem dor, nem glória sem ardor."
Em sua carne a marca do sagrado, mutila-se e arranca a carne do pecado em golpes de fanatismo. Descansa sobre a tina e cura suas feridas com seu próprio sangue, levanta-se com dificuldade e atira-se na tina de fé em nome "dele". 





terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cimento e Cal

Apoiado em um muro cru em cimento, uma vertigem afoitando o amago. Cabeça recostada em um mini pedregulho pontiagudo, acochando os pensamentos e dilatando minhas pupilas. Cabelos lambidos e escorridos como água fria, mãos tenes, frias e suadas. Vestimenta precária, sapatos com boca de anfíbio alargadas pela jornadas severa de faixas intermitentes.
Recostado, passante comum. De memória curta, sem armazenamento suficiente para tamanha amargura e contrarrupturas de laços. Severo olhar que observa o vazio de sua própria mente, não consegue ter lembranças, sensações, nem ao menos aflições da escuridão. Sua mente é corroída por pedregulhos arenosos como sua pele. 
Busca formas de se criar cicatrizes as imensas feridas, coaguladas, nos coágulos muitos mosquitos, presos em um sangue morto, fedentino.  
O tempo cruel de um verão a pino entrelaça suas mazelas e maresias. Vira-se de costa e esfrega vagarosamente sua face nos pedregulhos do muro mal acabado, raspa sua pele como se banha-se em água corrente todas as suas características, vivencias, formas, sentimentos e sentidos. Lava-se sem pudor todo o corpo em meio as frestas de reboco, as pupilas lacrimejam as gotículas de sangue que escorrem por entre sua face. Depila-se com voracidade, customiza seus traços, lavando também o muro com seu sangue, estende as mãos em palmas, a escorrega devaneando e trocando as digitais.
As pupilas aos poucos vão voltando ao normal, ascende um cigarro, rasga as barras das calças e nasce um novo ser, pronto pra ser dilacerando nos muros novamente.