terça-feira, 5 de abril de 2011

Cárcere

Hoje acordei com a sensação de que durante a noite havia sido mutilada. Apedrejada e que algo, ou alguma coisa estava remotamente presa.
Meus pés estavam estranhos, modificados, parecia ter ocorrido uma troca de pele. Não sei ao certo, mas, meu corpo reagiu de uma forma estranha, incoerente ao que era antes.
Olhei ao meu redor e tudo parecia diferente, estranho, escuro, sombrio, penumbra amarelada, a sensação que eu tinha era de ter voltado no tempo, onde os televisores nem possuíam controles remoto, nem ao menos cores, os personagens eram, verdes, amarelos ou vermelhos.
Época totalmente remota que nem eu vivi, parecia tudo envelhecido, outra vida.
Percorri os cômodos como se outrora nunca havia feito, mal conheci a mobília, as roupas também amarelada.
Os animais eram esquisitos, sombrios parecia que havia alguma cólera, rondando o ambiente. O céu numa massa de ar rocheado, parecia que as nuvens queriam dizer algo, não sei parecia que a qualquer momento elas iriam berrar...
Sentei na beira de minha cama, perplexa, observava e não definia o que ocorria.
A janela era um vitrô pequeno com vidros empoeirados, mal dava pra ver a claridade que adentrava.
A parede era de cor escura, monótona, parecia estar em um matadouro, ou algo como uma casa de quinbanda, o chão era vermelho e parecia ter restos de velas, toco de parafina derretido.
Sentia um frio na alma, "eu" não existia, parecia estar em um baile de carnaval mascarada.
Levantei-me caminhei até o banheiro, lavei minhas mãos pra ver se extermina o resquício estranho que havia em meu corpo, com um cheiro empoeirado. Levantei minha cabeça e olhei para o espelho.
Minha imagem era projetada atrás de mim, havia outra pessoa, "eu" atrás de "eu"? Olhei rapidamente para trás e nada, não vi nada. Olhei novamente no espelho e "eu" sendo projetada, havia um envoltório de ferro me cercando, parecia grades, "eu" presa em "eu" mesma?

sábado, 2 de abril de 2011

Cataléptico

Os sons das correntes não saem de minha memória.
Caminhavam por aquelas ruas estreitas, cheias, símbolos, paralelepípedos antigos, terra muita terra.
O cheiro de flor me intoxicava me deixava em frenesi.
Pessoas chorando, desespero, afetividade, afeição, monotonia, silencio.
Só barulho das correntes no ferro saltitava de um lado para o outro em um som ensurdecedor.
Entre os gemidos, as soluções... Abriu se uma portinhola pequena de luz... Meus olhos pareciam não querer abrir, um pingo d'água caiu sobre minha face, senti escorrer pelos meus lábios.
Findou-se a luz e de volta os soluços.
Alguém cantou uma canção, eu escutava ao longe, bem distante.
Escutei um som de terra, de pá cavando a terra, não sabia ao certo o que era...
Outro som de terra, mais um, mais, mais, parecia não se findar...
Novamente o desespero, gritos e gemidos.
As correntes voltaram a soar...
Escutava sons abafados, comecei a ficar fria, gelada, parecia que meu corpo se petrificara.
Não havia possibilidade de respirar, estava sufocada, com a boca seca, fria e rígida.
Minhas pernas estavam geladas e secas. Meus pés, eu não os sentia.
Abri os olhos e uma escuridão, estava fechada em uma caixa, não ouve, mas som, nada.
Tentei me mover, desesperada e achei um buque de flores.


Lacuna

Sentei em um banco, numa praça e te esperei, te esperei por horas... Ali sentada o tempo parecia não passar, a esperança subjetiva do teu olhar me deixava à espreita.


O vendaval de folhas secas sobrevoava o céu, parecia até outono.


A cada som produzido meu coração gelava... A todo tempo ouvia teus passos.


Minha memória primária estava em busca do teu cheiro, passava a vasculhar as lembranças para lhe ver.


A ansiedade me cercava, num certame de esfera extrema.


Olhava teus olhos, como se fosse à última vez que pudesse decifrá-los, olhos negros profundos de noite enluarada.


As suas mãos entrelaçadas a minha, paradoxalmente me mantinha anestesiada.


Melanina UV, misturada ao cheiro do meu cigarro, fios grossos de cordas instrumentais.


Pele fina, sensação de seda. Maciez perfumada, que se perde em minhas mãos pequenas e secas.


Por um momento você estaria ali, na minha frente fazendo juras de amor e de excitação. Olhando em meus olhos e eu nos teus...


Parecia atraidamente feito imã meu corpo do seu, como se encaixassem numa só nota ou acorde.


Nesse momento a emoção se torna choro...


E você, você realmente apareceu, não era sonho...


Mas, um dia ainda pode ser...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um dia de Maria!


Qualquer Semelhança é mera coencidencia!

Ouvi uma frase hoje que me deixou intrigada. A frase era: Existe Sempre uma Mulher dentro de cada Homem e um Homem dentro de cada Mulher.

Parei para refletir que essa frase é um tanto verdadeira, se pararmos pra raciocinar as mulher são sedutoras, amigas, companheiras, incompreensivas, incompreendidas, forte, sexy, inteligente, teimosa, cabeça dura, individualista, invejosa, amorosa enfim há muitas qualidades e defeitos.
Assim posso dizer que cada homem possuiu invejáveis qualidades como as de cima será?
Bom, acredito que sim.
Basta saber em que sentido a frase é empregada.
Bom no sentido físico, o homem é vaidoso, assim como as mulheres. Também as mulheres são relaxadas, fato que alguns homens também.
Mulheres geralmente adoram músculos, nos homens. Assim como alguns homens adoram músculos em mulheres.
O fato é que a mente humana é algo indiscutível, tudo muito abstrato e momentâneo.
Seria machismo se dissesse que o homem vê as mulheres como eles se vêem e as mulheres como desejaria que fosse?
Pois, presta bem atenção quando terminamos um relacionamento e vemos a pessoa que nos relacionamos com outra, dizemos: Ela (e) nem é tão bonito assim! Não acredito que fui trocada (o) por isso!Num é assim?
Quando se trata de ego ferido as coisas mudam de figura, certo?
Os homens não são a mesma coisa? Pô, cara essa ai é bem melhor que a outra. O cara praticamente queria estar no lugar do amigo.
Ou então, quando ambos terminam numa boa a gente diz: Ah, num fala assim ele(a) é uma boa pessoa, eu acho ele(a) bonito.
Pois é, então acredito que a frase de cima é verdadeira sim, não pelo simples fato de algo físico e reprodutor. Por que nesse caso qualquer semelhança estapafúrdia e mera coincidência.


Vamos entender então que tirando a condição física o homem e a mulher pensam iguais?


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Totalmente Psicológico

Saltei a mais ou menos 1 km de distancia de mim, meu consciente dizia o quanto era imaturo o subconsciente.


Saltei a mais ou menos 1 km de meu consciente e cheguei ao subconsciente, e ele dizia que talvez houvesse super ego demais. Ou em demasia percentual de ID?


Talvez o egocentrismo que carregam as entranhas do falso escudo projetado pelo espelho seja mera defesa, ou propositalmente um ataque.


Capsula de várias cores eram aspiradas por minha faringe, na laringe parecia haver uma supressão de ar.


Com o gosto terroso em minha língua provo que mais uma vez não sou capaz de abstrações.


Às vezes gostaria que perdurasse em mim o sangue frio de uma barata. Tudo bem perderia a cabeça algumas vezes tomariam alguns pisões, umas vassouradas, mas, pela manhã recobraria meu corpo, minha cabeça e voltaria a viver.


Espelho, espelho meu existe alguém tão mesquinha quanto eu?


Saltei...


Não, de verdade agora não sei onde estou.



O Reverso...

Imagine se você tivesse uma moeda, como as que você conhece, só que com uma pequena diferença de uma lado você possuí a sorte e de outro o azar. Jogaria?
O antigo jogo de "cara" ou " coroa"?
Cara você ganha coroa você perde!
A Sorte "cara" é algo totalmente prejorativo pois ganhar nem sempre é o objetivo, ou é?
Já o reverso "coroa" te faz sempre zerar ou ser zerado.
Quando se coloca em prática isso deixa de ser brincadeira.
O quanto é positivo a vitória ou o quanto é positivo a derrota, estou certa?
Mas, se você ganha você adquiri, se você perde você possuí um deficit.
Como é possível a derrota ser positiva e a aquisição de sorte negativa?
Por um simples detalhe GANHAR e PERDER faz parte da vida!
PORRA!




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

X + Y = X

QUEM CALA CONSENTE?

Quem - Pronome interrogativo, Qual pessoa?.Quem fez?Quem falou?Quem ficou?

Pronome - Conforme a gramática palavra que substituí o nome.

Nome - Substantivo comum que é dado, referenciado a quem?

Opa espera, Quem é (x) = a interrogação de um pronome (y) + nome (z) + (1x+y+z)

Tá isso é uma equação, então a língua portuguesa tem a ver com a matemática?

Vou resolver a equação...

x = y + z + (1x + y + z)

1x² = y² + z²

x² = y² + z²

1

x² = 1y² + 1z²

x = 2yz²

x = Você.

Tá não vou dar o significado de você, você pode ser você ou outro você que é a mesma coisa de ser você, ok?

Cala = 3ª Pessoa no Singular / Verbo empregado no Presente do Indicativo de Calar.

Calar = Verbo Intransitivo e Pronome.

Significado de Calar = Não falar, não produzir som ou ruído, não dizer, impor silêncio, reprimir, conter... E outros.

Então quem = você e cala = aquele que é referenciado como quem que é você. Você tem que cala não falar nada NE?

Consente = 3 ª pessoa no Singular Presente do indicativo.

Consente significado = ato de concordar, não esboçar reação, dar consentimento, tolerar admitir e outras coisas.

Então quando digo QUEM CALA CONSENTE!

É que você que é um sujeito oculto, que pode ser qualquer substantivo transitivo, direto ou indireto não se pronuncia, se cala, não esboça reação e tolera tal situação comentário ou quaisquer ações de questionamento da razão ao consenso de falsas verdades. Sim?

Enfim, se você fica quieto e não fala nada você me deixa pensar o que eu quiser tá?



A.I. - Infraestrutura Abdicada

Transformação inconstante, montagem de fusíveis, cabos conectados, e forma metálica de cores frias.
Sons préprojetados por batimentos cardíacos vazios, clonados fios de queratina, olhar brilhante de luz, uma capa sobreposta pela estrutura metálica.
Nascido, formado, fabricado, construído, feito, pintado e vida!
Eu, ser de pouca ação e reação programada.
Programado para viver por um ser, montado para apenas o deleite de seu orgulho.
Prepotência de faturamento milionário.
Formação das minhas perspectivas frias, você meu objeto de maquinado amor.
Construído para suprir minhas necessidades de fundação humana.
Máquina, pedaço de peça descartável no momento oportuno.
A vida só terá sentido para mim, você é meu objeto de diversão, meu robô humano, para os meus, só os meus sentidos e sentimentos.
Não lhe amo, mas o que importa não é isso. O que importa é que você me ama e eu?
Eu, não!
Mas, brinquedos fazem parte da infância.




segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cheiro do Ralo

Não conseguia dormir. Emergia e Submergia algo que me inebriava.
Gerava-me imenso incomodo.
Parecia circular por todos os cômodos, tratava-se de uma onda escura, negra.
Soltava meu corpo por entre os lençóis e instantaneamente fechava a "fuça".
De bruços sufocava-me, de lado abafava-me, pés apontados para o céu e braços a angulo de 90°.
Flexionava as pernas, reter, com muita força meus membros, fugia daquele odor.
Parecia que havia habitado com os corvos. Carniça pura, carne podre.
Debatia-me, podia escutar o escoamento de algo líquido, talvez fosse o limbo de minha face demarcada.
Apertava-me e sufocava-me sem ar. Suspirava fundo, inspirava e aspirava pela grande mordaça.
Prendia a respiração por segundos e baforava no ar. Afagava-me por debaixo da coberta, contraia-me e nada fazia parar tal cheiro ou fedor.
Os olhos marejados por um líquido seboso ardiam-me a ponta das narinas.
A garganta já estava embargada não conseguia me concentrar precisava respirar para isso.
Por horas permaneci esfregando-me contra os lençóis e a coberta. Em pausado ressonar de ar.
Puxava o mínimo de ar por entre minhas narinas, como se fosse um rato a farejas comida, incisivamente contraia em intervalos de segundos.
Movi meus pés para o chão ascendi à luz e comecei a farejar como um animal por sua presa, suspirava e prendia o ar com toda a força, abria minha fronte como se rasgasse todo o ar.
Movia-me mais de pressa quando sentia a aproximação do fedor.
Em minha fronte parecia ter um buraco imenso para entrada e saída de ar.
Cheguei próximo a latrina e encontrei minha presa.
Que odor desgraçado vinha de tal.
Aproximei-me abordei meus dejetos, levantei os braços ferozmente e puxei a descarga.
Suspirei fundo e fui dormir.